Ruanda ~ 1994

O assunto veio a tona recentemente com a seguinte notícia: http://bit.ly/qjSUNy. Assim como um garoto hiperativo que assassinou o gato da vizinha com uma paulada e enterrou os restos mortais do bichano no jardim pra NINGUÉM ficar sabendo, a França tenta — e não é de agora — criar obstáculos para impedir uma investigação detalhada do que DE FATO aconteceu na Ruanda antes, durante e depois da matança descerebrada que vitimou quase um milhão de pessoas em 1994.

Relembrando:

Há cinco anos, a Justiça francesa acusou o atual presidente da Ruanda, Paul Kagame, e nove de seus assessores de planejarem o atentado que matou Juvenal Habyarimana. O senso comum diz que a morte do ex-presidente Habyarimana desencadeou o genocídio, e eu digo um juiz comedor de baguete levou ANOS para culpar implicitamente DEZ ruandeses pela morte de aproximadamente 800 mil pessoas. HAHA.

Já existia uma divisão étnica entre o povo ruandês quando os alemães (e posteriormente os belgas) chegaram ao país. O europeu desembarcou na Ruanda trazendo (como sempre) doenças venéreas & outras desgraças, e durante todo o período de colonização disseminou o ódio entre tutsis e hutus, concedendo privilégios políticos, econômicos e sociais a uns e marginalizando outros. Quando o país se tornou independente na década de 60 e os europeus deram o fora, os ânimos já estavam bastante acirrados entre as duas etnias, e a eclosão de uma guerra civil era apenas questão de tempo.

Mas ninguém ligou quando o bicho de fato pegou na Ruanda, em 1994. As GRANDES potências preocuparam-se sobretudo em retirar seus cidadãos do país antes que eles fossem estuprados & mutilados com facões enferrujados. A ONU designou um generoso contingente de 400 capacetes azuis para proteger um porrilhão de civis indefesos de um porrilhão de extremistas hutus armados até os dentes, e o fim da história todo mundo já conhece.

O ponto é: não importa quem matou Habyarimana. A morte dele foi apenas um pretexto para começar o genocídio que, diz-se, estava há muito planejado. Analisando a história da Ruanda como colônia, não é nada sensato responsabilizar os ruandeses, e tão somente os ruandeses — como fez em 2006 Jean-Louis Bruguière, o supracitado juiz comedor de baguete — pela matança desenfreada que devastou o país na primeira metade da década de 90.

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